terça-feira, 30 de novembro de 2010


Diário
Sim, eu tenho um!

Eu tenho um diário, que nem é tão diário assim. Ele não é um pequeno caderno com folhas decoradas com ursinhos ou corações. Não tem bordas para eu anexar com um clips pedaços de papeis recordados. Não preciso colocar um cadeado ou esconder embaixo do colchão para que ninguém ache e leia.

Eu uso um recurso que, para muitos, serve apenas para fazer trabalhos escolares, digitalizar textos tirados de livros e tudo mais. Eu uso o word. Esse programa pode ser um bom diário também. Não requer letra bonita, nem canetas coloridas com figurinhas felizes, que ninguém nunca vai ver.

Agora imagine uma coisa: Se meu blog é desse jeito, ou que teria em meu diário? Parece assustador, não é? Não é tão ruim assim. Tudo pode ser superado nessa vida!

Então, eu decidi colocar aqui o que eu escrevi ontem no meu super "diário". Talvez porque eu quero que alguém em especial leia, mas acho pouco provável que essa pessoa perca seu precioso tempo entrando no meu blog. De qualquer forma, vou copiar mesmo assim, porque... EU QUERO!
~*~

29 de Novembro de 2010

Sempre tive mania de guardar tudo pra lembrança. Hoje desejei nunca ter guardado nada. Nem se quer aquele papelzinho de bala, ou aquele recado que foi estrategicamente guardado pra você achar dias depois, morrer de saudade e achar linda a idéia de quem fez. Mas além de objetos, eu gostaria de nunca ter guardado e-mails. Reler essas cartas eletrônicas que podem ser escritas tão depressa e que, às vezes, saem de maneira tão atrapalhada que fica difícil compreender qual era a mensagem. É um espaço em branco que nos inspira. Onde não é preciso lembrar as regras de português. Tanto faz se você usa ponto final ou reticências, se tem ou não coerência. Se for alguém que te conhece o suficiente para não achar que você é analfabeto, por que se importar tanto se a palavra foi escrita de maneira correta ou faltou um acento? Não importa o jeito que o e-mail vem. Com fundo preto, amarelo ou azul. Com letras coloridas ou pretas, em itálico ou negrito. Com figuras, espaços. Se pula uma linha, tem hífen ou um travessão. O que importa é a mensagem.

Na verdade, importa na hora. Os e-mails que se acumulam e ganham até uma pasta são nossos perigosos inimigos no futuro. Serve só para quebrar em pedaços miúdos o coração. Mexem na memória sem piedade. Juntam cada e-mail em uma lembrança só. Isso dói.

Eu não deveria ser assim. Qualquer tristeza me faz mexer nas coisas que guardo. Isso me deixa mais triste ainda. Então por que eu mexo? Não, ao invés de esquecer e me distrair, eu mexo e remexo em tudo. Digam: “Você tem probleminha!”. Sim, eu tenho!

Pensando bem, foi bom ter relido algumas coisas. Fez-me ter a certeza do que estava defendendo. Eu estava certa. Tenho certeza. Era tão explicito isso. Não posso ter imaginado tudo sozinha.

Eu tinha 17 anos, era boba, não sabia o que era amor, mas tinha a coragem suficiente para me aventurar sem medo de quebrar a cara. Então me deixei levar pela situação. Fui parar longe. Tão longe quanto deveria. Demorou muito, mas a decepção chegou. Ela sempre chega. Não avisa, vai entrando e se instala sem ser solicitada. Dá opinião onde não foi chamada, causa intrigas e arrependimentos. Então, depois de tudo destruído, ela vai embora. Quando eu percebi estava tudo espalhado pelo chão. Tentei medir os estragos e me perguntei onde estava quando tudo aquilo desabou. Ainda não descobri.

Às vezes o mundo para e só fico eu e meus pensamentos:

“Meu Deus, meu pai... Não pergunto onde errei, porque eu sei em que errei. Mas peço: ajuda-me a acertar?! Dá-me graça, papai. Eu preciso ser uma pessoa melhor. Eu preciso aprender a usar o silêncio, a gentileza e as palavras de amor. Faz de mim uma mulher de acordo com os teus ensinamentos. Eu preciso de ti, Senhor!”

Então, eu sempre vejo onde eu erro: Falta de paciência! Não sei esperar, ouvir, falar com educação, não uso as palavras corretas, não admito quando erro e não sei perder. Se começar uma briga comigo, vou tentar humilhar pra não ser humilhada. Defesa e deficiência. Nada mais do que isso.

Não me acho melhor que ninguém, então não admito que se achem superior a mim. Não gosto de ouvir, simplesmente porque não perguntei. Não sou educada, porque preciso escolher palavras certas e isso faz com que eu perca meu raciocínio. Não admito que errei, porque isso (na minha cabeça) me diminui, mas há quem diga que isso enobrece o ser humano. Agora eu digo, nunca fui nobre por admitir um erro. Não sei perder, porque tudo na vida tem dois lados. Eu defendo o meu ponto de vista e você defende o seu. Sou inflexível. Empate! Não preciso dar vitória a ninguém. E as brigas, bom, as brigas acontecem de maneira crescente. Isso atribui a mim uma culpa parcial. Se um não parar o outro não para. Eu já cheguei a acreditar que quando um não quer, dois não brigam, mas isso é como acreditar em Papai Noel. Não existe. Sempre vai ter um que provoca até o outro responder. Isso é fato!

Sem mais.

Charlie Brown